Brasil completa 20 anos sem nenhum avanço no Ensino Médio
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Brasil completa 20 anos sem nenhum avanço no Ensino Médio

  • 31 de agosto de 2018
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Alunos de escolas públicas e privadas de ensino médio do Brasil não melhoraram em nada sua aprendizagem em Português e Matemática em 20 anos de ensino. A nota dos estudantes em 2017 no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), exame oficial cujos dados foram divulgados nesta quinta-feira (30/08), é mais baixa do que a registrada em 1997. A rede particular caiu menos, mas também piorou ao longo dessas duas décadas.

“Os alunos sabem menos agora do que sabiam em 1997. O ensino médio não está agregando nada a eles”, afirmou ao Estado o ministro da Educação, Rossieli Soares. O ensino médio é considerado a etapa mais crítica da educação brasileira. O governo Michel Temer aprovou, no ano passado, uma reforma, que flexibiliza o currículo dessa etapa e cria múltiplos percursos acadêmicos para esses jovens. Por dificuldades na implementação da proposta e reação negativa de parte da comunidade escolar, alguns candidatos à Presidência têm defendido revogar a mudança. O ensino médio tem cerca de 7,9 milhões de matrículas – cerca de 88% na rede pública.

Os resultados mostram que apenas sete em cada dez estudantes do ensino médio tiveram desempenho insuficiente nas duas disciplinas. Isso significa que os jovens, maioria entre 14 e 17 anos, não conseguem identificar informações explícitas em uma receita culinária ou calcular um porcentual. Em Português, a média em 20 anos foi de 284 pontos para 268 pontos (em uma escala de zero a 500). Já em Matemática, o recuo foi de 289 pontos para 270 pontos. E, em todo o período, as oscilações de resultado nunca ultrapassaram o desempenho de 1997. Além disso, a distância entre a rede particular e a pública aumentou.

De acordo com especialistas, o mais preocupante é que o ensino fundamental vem melhorando desde o início dos anos 2000, mas isso não se reflete no ensino médio. Atualmente, os alunos de 1.º ao 5.º ano têm o melhor desempenho, com cerca de 25% no nível avançado de ensino.

“Acreditávamos que esses alunos iriam começar a avançar e chegar ao médio, e tudo melhoraria como uma onda, mas não aconteceu. A hipótese mais pessimista é a de que todo o ganho do 5.º ano está sendo perdido”, diz o professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes.

Para ele, uma explicação mais otimista pode ser a de que, no passado, os piores alunos abandonavam a escola antes de chegar ao ensino médio. Hoje, há mais jovens estudando, mesmo com desempenho ruim. O Brasil conseguiu nos anos 1990 e 2000 uma grande inclusão de alunos na escola, impulsionada por políticas de financiamento público atreladas à matrícula.

Situação das escolas particulares

Mesmo entre os alunos de escola privada, os resultados do Saeb mostram problemas. Só 7,83% dos alunos de 17 anos das particulares do País estão no nível considerado avançado de Português. Apenas esse pequeno grupo, por exemplo, consegue entender perfeitamente expressões de humor em contos, crônicas e artigos. Em Matemática, as notas são um pouco melhores e a quantidade de adolescentes com boa aprendizagem é de 23,72%.

Pela primeira vez, a rede privada pôde se voluntariar para participar do exame, a mais importante avaliação brasileira. Até então, o governo selecionava esses colégios por amostragem. O MEC, no entanto, não informou quantas nem quais escolas particulares fizeram o Saeb no ano passado.

A prova mede a aprendizagem dos alunos do 5.º ano e do 9.º ano do fundamental e do 3.º do médio, desde 1995, nas escolas públicas. Cerca de 5,46 milhões de alunos do fundamental e do médio participaram.

“O problema é que os professores da rede privada e da pública receberam a mesma formação na faculdade, muito centrada nos pilares da educação e não na prática profissional”, diz Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, o Brasil precisa definir, de fato, a educação como prioridade. “Podemos caminhar para uma situação em que jovens ficarão em um limbo, porque terminam a escola sem capacidade cognitiva e sócio emocional.”

O Presidente da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep), Ademar Pereira, não considera o resultado representativo da rede. “No Enem, vale nota para o aluno entrar na faculdade e o resultado é mais fidedigno”, afirma. “Também não sabemos qual é essa amostra de escolas que participa da avaliação.”

Os resultados do Saeb são usados no cálculo do Índice do Desempenho da Educação Básica (Ideb), o mais importante indicador de qualidade do País. Pela 1ª vez, o MEC resolveu este ano não divulgar Saeb e Ideb ao mesmo tempo.

Os resultados do índice, segundo o governo, devem ser apresentados na segunda-feira (03/09).

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