Cresce no Brasil a educação domiciliar
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Cresce no Brasil a educação domiciliar

  • 27 de agosto de 2018
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O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a validação da prática da Educação Domiciliar no Brasil dia 30 de Agosto. Pais de alunos e órgãos públicos vão discutir sobre o assunto.

De acordo com a Associação Nacional de Educação Familiar (ANED), em torno de 7500 famílias mantém seus filhos estudando em casa, ou seja, por volta de 15 mil estudantes.

“A Educação Domiciliar é uma modalidade da educação na qual a família assume o controle do processo global de educação dos filhos”, explica o diretor da ANED.

Rick Dias, de 48 anos, revela que cerca de 60 famílias já foram processadas por não matricularem seus filhos no ensino regular do Estado, essa conduta é considerada como “abandono intelectual” de acordo com o Código Penal do Brasil.

Porém, esse quadro mudou drasticamente depois que a ANED pediu ao STF a suspensão dos processos na justiça. “O ministro Barroso concedeu o sobrestamento dos processos e, hoje, graças a isso, nenhuma família pode ser processada no Brasil por causa de estudos em casa”, esclarece.

Educação Domiciliar é mais antiga que a escola

De acordo com o diretor da ANED, a escola é uma invenção moderna. “Não tem mais que 200 anos e vem a partir do pensamento iluminista, a partir dos ideais da Revolução Francesa e ela é chancelada pela Revolução Industrial”, esclareceu.

O que ocorre hoje em dia, é que muitas famílias estão optando pela educação “clássica”, ou seja, em casa. “A educação domiciliar não é uma coisa nova, nova é a escola”, dispara.

A prática que também é conhecida internacionalmente como “homeschooling” é mais comum nos Estados Unidos. O termo inglês será aplicado a todos os casos que tramitam em outras instâncias da justiça.

Em 2012, uma estudante de 11 anos, moradora de Canela (RS), pediu ao juiz da cidade com o apoio dos pais, o direito de ser educada em casa. Entre variados motivos expostos, estava a discordância de algumas “imposições pedagógicas”.

Os pais cristãos que acreditam na teoria criacionista, conforme diz a ação “não aceita viável ou crível que os homens tenham evoluído de um macaco”. O juiz da comarca negou o pedido, em 2016, a família recorreu ao STF.

Motivação dos pais

“Nenhum pai, nenhuma mãe, tira um filho da escola por um único motivo”, disse o diretor. Segundo ele, existem os motivos positivos como “dar uma educação mais personalizada, mais pautada nas habilidades de cada criança e trabalhando com o ritmo e o estilo de aprendizado de cada um”, especifica.

Ele conta que os motivos negativos acontecem por conta da insatisfação dos pais quanto à péssima qualidade do ambiente escolar. “Pressões sociais inadequadas, bullying, exposição a amizades indesejadas pelos pais, episódios de violência, drogas, doutrinação ideológica, má qualidade de ensino”, exemplifica.

“A grande maioria das famílias educadoras no mundo são cristãs. Elas estão percebendo a escola como um instrumento do iníquo”, explica.

Logo, a maior motivação de pais cristãos não desejarem mais seus filhos em escolas “é por verem seus filhos tendo os corações roubados de Deus, dentro do ambiente escolar”, emendou. Segundo o diretor, o ambiente escolar é “perverso e desleal”.

 “Conheço resultados de estudos e trabalhos científicos-acadêmicos muito bem elaborados em países onde o home school já caminha há décadas”, conta.

Segundo ele, crianças que foram educadas em casa têm excelentes resultados acadêmicos e são extremamente sociáveis, entendem de hierarquia, são ativos na comunidade onde trabalham e sabem atuar em equipe.

“Nos Estados Unidos e Canadá existem universidades preparadas e empresas que contratam adultos que foram homeschoolers, por acreditarem que eles conseguem pensar fora da caixinha”, disse.

Abandono Intelectual

“Não existe no Brasil nenhuma família home school que foi condenada por abandono intelectual”, assegura o diretor. Ele conta que as famílias que são processadas recorrem à ANED. “As crianças estavam bem, eram submetidas a testes acadêmicos e avaliações psicopedagógicos”, disse.

Rick conta que os resultados sempre foram muito bons. “As crianças apresentam o desenvolvimento totalmente compatível com a faixa etária que tem”, responde e deixa o alerta: “Quem abandona intelectualmente as crianças é o governo, não são os pais”.

Manifestação do MEC

O Ministério da Educação e Cultura se manifestou de forma contrária à Educação Domiciliar no Brasil. “Nós já conversamos com a Procuradoria Geral da República e com a advogada geral da União e eles ainda não têm uma opinião formada e não estão se preocupando com a educação domiciliar”, declara.

“Educadores acadêmicos sérios sabem que a escola precisa ser repensada ou reinventada”, afirmou. Conforme o diretor, muitas famílias praticamente “abandonam a criança na escola”.

Mudando o foco para a responsabilidade dos pais, Rick reconhece que “não existe um relacionamento escola-família”. Segundo ele, essa é uma ideia surreal. “São poucos os pais que se preocupam com isso”, disse.

Modelo escolar atual

“O nosso modelo escolar, na verdade, não ensina nada, ele cria uma geração decoreba, a geração Ctrl C e Ctlr V, copiar e colar, uma geração que é preparada pra fazer uma prova”, lamenta.

Segundo o diretor “precisamos ser honestos”, disse ao se referir às famílias que transferiram suas responsabilidades para a escola. De acordo com ele, o plano inicial era que os pais se responsabilizassem pelos valores, condutas, moral, ética e crenças. Somente a parte acadêmica ficaria a cargo de escolas.

O resultado disso: “professores estão engrossando as filas dos hospitais psiquiátricos, doentes, com depressão, síndrome do pânico e outras doenças psicossomáticas. Porque eles estão tendo que criar os filhos dos outros, isso inclusive é muito desumano com o professor”, reconhece.

O diretor da ANED finaliza dizendo que, se for declarada a constitucionalidade do home school, quem quiser fazer parte, tem que estar disposto a arcar com todas as consequências. “Home school é para todos, mas não é pra todo mundo”, avisa.

Para educar os filhos em casa, os pais precisam ser os facilitadores e, para isso, abrir mão de muitas coisas. Rick cita alguns exemplos: “Muitos abriram mão de empregos melhores e salários maiores, além de adiar projetos pessoais para estar ao lado dos filhos”. Mas segundo ele, é um preço que vale a pena pagar.

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