“Não sabemos os propósitos maiores e finais de Deus”, diz Augustus Nicodemus sobre Brumadinho
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“Não sabemos os propósitos maiores e finais de Deus”, diz Augustus Nicodemus sobre Brumadinho

  • 31 de janeiro de 2019
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Circunstâncias como a que envolve a tragédia de Brumadinho (MG) sempre suscitam críticas ao conceito pregado a partir do Evangelho sobre a soberania de Deus e sua onipotência, onisciência e onipresença. Assim, o reverendo Augustus Nicodemus Lopes, um dos mais populares teólogos brasileiros, comentou o episódio sob essa perspectiva.

“Diante da catástrofe, muitas pessoas são levadas a meditar sobre a presença do mal, do sofrimento e da injustiça no mundo e como isso se harmoniza com a pregação cristã de que há um Deus onipotente e infinitamente bom. Qualquer tentativa de entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração três componentes da revelação bíblica, que são a realidade da queda moral e espiritual do homem, o caráter santo e justo de Deus e o sofrimento de Jesus Cristo por nós”, conceituou o pastor presbiteriano.

Recapitular a desobediência de Adão e Eva relatada em Gênesis é essencial para iniciar a compreensão do conceito de “queda moral” da humanidade, diz Lopes: “O texto relata como eles desobedeceram a Deus e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. Essa “queda” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe consequências terríveis a toda a sua descendência. A culpa deles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.)”.

Ainda nesse contexto, Lopes enfatiza que “a queda do homem impactou também toda a criação”, pois resultou em maldição: “Deus disse a Adão, ‘maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo’ (Gn 3.17-19)”.

“As catástrofes, desastres, calamidades, tragédias, que sejam naturais ou fruto do erro humano, são o resultado de Deus ter amaldiçoado a terra por causa do pecado do homem. Deus permite estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras”, pontuou o teólogo.

Desastres como esse servem, segundo o pastor, para “nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos”.

“Poderia ser eu que estava na região quando a barragem se rompeu e levou a todos. Ou, alguém muito melhor e mais reto diante de Deus. Ainda assim, Deus não teria cometido qualquer injustiça, ainda que os que morreram soterrados fossem os melhores homens e mulheres que já pisaram a face da terra. Pois mesmo estes são pecadores. Não existem inocentes diante de Deus”, asseverou.

Em seguida, a reflexão de Lopes recapitula que Deus conhece o sofrimento humano por tê-lo experimentado na pessoa de Jesus: “O Deus justo é também o Deus que sofre conosco. Deus Filho se tornou um de nós pela encarnação no ventre de Maria, e viveu uma vida de sofrimento e dor que terminou com sua morte na cruz. O sofrimento que ele carregou e suportou não era decorrente do pecado, pois nele não havia pecado, nem original nem seu próprio”.

“Ele carregou nossa dor e experimentou nosso sofrimento para que pudéssemos ser justificados dos nossos pecados, perdoados, aceitos por Deus como seu filhos, para nos livrar do sofrimento eterno e recebermos a vida eterna. Deus sabe o que é sofrer. Por isto, podemos encontrar nele respostas e conforto na hora da dor”, aconselhou.

A compreensão de que tais tragédias, na ótica construída a partir do Evangelho, se explicam na maldição decorrente do pecado não significa permanecer alheio ao que ocorre à nossa volta, alertou o pastor: “Nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele. […] Nada do que foi dito acima me impede de pedir justiça e querer que os culpados pelo rompimento da barragem sejam responsabilizados”.

 

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