Acordo de R$ 106 mil encerra ação por assédio na Igreja Presbiteriana; transferência de R$ 128 mil do pastor é anexada ao processo
Uma ação trabalhista envolvendo o pastor Arival Dias Casimiro, presidente da Junta Missionária de Pinheiros e liderança da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, foi encerrada por acordo após uma ex-funcionária acusá-lo de assédio no período em que trabalhou na instituição. A identidade da trabalhadora foi preservada.
O processo nº 1000824-81.2025.5.02.0034 tramitou na 34ª Vara do Trabalho de São Paulo. Na ação, ajuizada em maio de 2025, a ex-funcionária afirmou ter atuado como auxiliar administrativo da Junta Missionária entre 2021 e 2024 e relatou ter recebido abordagens e mensagens que considerava inadequadas por parte de Arival.
Segundo a autora, as abordagens começaram com elogios e contatos pessoais e se intensificaram com mensagens fora do horário de trabalho. Ela também disse que o pastor teria sugerido encontros reservados e feito comentários sobre sua aparência. A ação foi instruída com diversas capturas de conversas de WhatsApp.
Em sua defesa, a Igreja Presbiteriana de Pinheiros e a Junta Missionária questionaram a forma de apresentação de parte das mensagens e de conversas com testemunhas e solicitaram que o processo tramitasse em segredo de justiça. O pedido foi negado em 11 de junho de 2025, quando a juíza considerou que a própria reclamante havia dispensado a tramitação sob sigilo.
O caso não chegou a sentença sobre o mérito. Antes da audiência de instrução, as partes firmaram acordo em 24 de julho de 2025. No documento, a Junta Missionária e a Igreja Presbiteriana reconheceram que determinadas mensagens mencionadas na ação foram consideradas "inoportunas, inadequadas e infelizes". Ao mesmo tempo, ficou expresso que a conciliação não representava reconhecimento de culpa, responsabilidade ou confissão quanto às acusações.
Pelo acordo, a Junta Missionária comprometeu-se a pagar R$ 106.347,92 à ex-funcionária, além de R$ 21.269,58 em honorários advocatícios. Em 30 de julho de 2025, a trabalhadora informou à Justiça que o acordo havia sido integralmente cumprido; a juíza declarou extinta a execução e determinou o arquivamento definitivo do processo.
Após o pagamento, outro documento foi juntado aos autos. Em 1º de agosto de 2025, a Junta Missionária comunicou que, após apuração interna, firmou um termo de ressarcimento com o "colaborador responsável direto pelos atos que originaram o feito". Na sequência, foi anexado comprovante de transferência mostrando que Arival Dias Casimiro enviou R$ 128 mil à Junta Missionária de Pinheiros em 25 de julho de 2025.
O pagamento feito por Arival à instituição não equivale, por si só, a condenação judicial ou confissão de assédio. O processo foi encerrado por acordo, sem julgamento do mérito. O acordo também previu que eventuais questões disciplinares de natureza eclesiástica poderiam seguir sendo analisadas internamente, conforme as normas da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Importante: as acusações de assédio foram apresentadas pela ex-funcionária. Não houve sentença reconhecendo a prática de assédio sexual, já que o processo terminou em acordo antes do julgamento do mérito.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel