Após queda e queixas na PF, Bolsonaro vai à 'Papudinha'; Feliciano diz que Moraes 'resolveu um problema'
BRASÍLIA (DF) — O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, conhecido como "Papudinha". A mudança, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, ocorreu após relatos de aliados de que Bolsonaro enfrentava problemas estruturais no local anterior e teve agravamento do estado de saúde.
O deputado federal e pastor Marco Feliciano afirmou que a decisão de Moraes teve caráter prático e não representou gesto de benevolência. Segundo o parlamentar, a medida busca solucionar entraves logísticos da custódia na PF. Feliciano também declarou que Bolsonaro sofreu uma queda recente nas dependências da Polícia Federal, com traumatismo craniano, além de viver sob desconforto constante causado pelo barulho do sistema de ar-condicionado. Na avaliação do deputado, a transferência "retira um problema da mesa do Judiciário" ao direcionar o ex-presidente para uma estrutura considerada mais adequada.
A nova acomodação tem cerca de 64 metros quadrados e inclui banheiro privativo, cozinha, lavanderia e área externa. Moraes autorizou a instalação de uma esteira ergométrica e assegurou assistência médica particular em tempo integral.
Apesar das condições diferenciadas, aliados seguem defendendo a prisão domiciliar. Feliciano citou como precedente o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que obteve autorização semelhante em contexto judicial distinto.
As visitas familiares estão autorizadas às quartas e quintas-feiras, incluindo encontros com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e todos os filhos. Feliciano fez apelo para que governadores, senadores e outras lideranças se posicionem publicamente a favor de "misericórdia", destacando a idade de Bolsonaro (70 anos) e seu histórico de múltiplas cirurgias.
A transferência de Bolsonaro para a "Papudinha", em janeiro de 2026, marca uma nova fase na tensão entre setores ligados ao antigo governo e o Judiciário. A custódia de um ex-chefe de Estado em uma unidade de segurança máxima, ainda que em dependência especial, mantém o Brasil sob observação de entidades internacionais e organizações de direitos humanos. A pressão de parlamentares como Feliciano indica uma estratégia da oposição de humanizar a imagem do ex-presidente e sustentar pedidos jurídicos com base em argumentos de saúde. Ao mesmo tempo, a manutenção da prisão preventiva mobiliza a base conservadora e mantém o debate entre clemência e rigor judicial no centro do cenário político, com efeitos na estabilidade institucional e na imagem democrática do país no exterior.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel