Band fecha acordo de R$ 4 milhões mensais com Universal para madrugadas; igreja mobiliza 100 mil militares em evento
A Band oficializou neste domingo (7) um acordo com a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para transmitir diariamente programas religiosos na madrugada, entre 2h e 6h. O horário era antes ocupado por reprises de jornalismo e esportes.
Segundo informações de bastidores, o contrato é estimado em cerca de R$ 4 milhões por mês. Internamente, a negociação é vista como uma forma de gerar receita em um período de baixa audiência e menor interesse comercial.
O acordo prevê expansão gradual do espaço: a partir de novembro, a programação seguirá até 7h; em abril de 2026, ganhará mais uma hora, indo até 8h. Não é a primeira parceria entre as partes: a Universal ocupou a grade da Band até 2018. A denominação também mantém sob contrato boa parte da programação da Rede 21, canal do mesmo grupo.
Com o novo acerto, a Universal volta a marcar presença em duas grandes redes de TV aberta no país: Record — sua principal plataforma — e, novamente, a Band. Já Globo e SBT optam por manter programação própria durante a madrugada.
Paralelamente, desde 2019 o Dia do Soldado passou a abrigar o evento "Dia da Condecoração dos Heróis", promovido pela IURD. Neste ano, em 25 de agosto, a igreja reuniu cerca de 100 mil agentes militares em todo o país, vindos de 18 estados e do Distrito Federal, em cerimônias que contaram com a presença de soldados, oficiais, comandantes, coronéis e políticos.
Os encontros combinaram fardas, armas e bíblias, com café da manhã coletivo e a entrega de diplomas simbólicos de "condecoração" a militares e agentes de segurança. A iniciativa tem chamado atenção de especialistas e críticos, que levantam dúvidas sobre a relação entre uma instituição religiosa e as Forças Armadas em um Estado laico.
O Artigo 142 da Constituição Federal estabelece que Exército, Marinha e Aeronáutica estão sob a autoridade suprema do presidente da República e têm como funções a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e a manutenção da lei e da ordem — atribuições que não incluem vínculo com denominações religiosas.
Nas redes sociais, a mobilização aparece sob a marca Universal nas Forças Policiais (UFP), braço institucional da igreja voltado a militares e forças de segurança. Com perfil que soma mais de 37 mil seguidores, a UFP divulga fotos e vídeos de grande adesão, e registros mostram oficiais pedindo a participação de subordinados nos encontros.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel