Carlinhos Felix relata show do Rebanhão em boate na Baixada; público se ajoelha e entrega armas e drogas
SÃO PAULO (SP) — O cantor Carlinhos Felix, pioneiro do rock cristão e ex-integrante do Rebanhão, relembrou um episódio marcante da banda: a apresentação em uma boate de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, realizada a convite do fundador do grupo, Janires, e relatada durante participação no SuperGospel+.
Segundo Felix, a decisão contrariou o padrão religioso da época, quando a presença de músicos cristãos em ambientes considerados “mundanos” era amplamente criticada por lideranças evangélicas. Ainda assim, a banda entendeu que o local representava um campo missionário pouco alcançado e que ali estaria um público que dificilmente entraria em um templo — inclusive criminosos. O grupo reconhecia que enfrentaria julgamentos, mas assumiu o risco por considerar que a mensagem não deveria se restringir a espaços religiosos.
Felix descreveu um início tenso na boate, com ambiente hostil. À medida que o repertório de rock avançou e a mensagem central foi apresentada, o clima mudou. O ponto de virada, afirma, ocorreu quando Janires ministrou sobre a parábola do Filho Pródigo. Em seguida, parte expressiva do público se ajoelhou. Atendendo a um apelo direto, frequentadores passaram a entregar armas e drogas no palco, o que gerou apreensão entre os músicos diante da possibilidade de chegada da polícia.
De acordo com o relato, o desfecho foi seguro porque um policial que acompanhava a banda se responsabilizou por dar o destino adequado ao material recolhido. A experiência, diz Felix, foi determinante para sua visão ministerial e consolidou a identidade do Rebanhão como um grupo disposto a transitar por diferentes ambientes sociais e religiosos.
Em carreira solo, o cantor afirma que os aprendizados vividos com o Rebanhão permanecem como legado espiritual que orienta sua trajetória para além de projetos musicais. Revisitada em 2026, a história contrasta com o atual modelo de “igrejas-espetáculo” e remete ao contexto dos anos 1980 no Rio de Janeiro, período de forte violência urbana, em que a ocupação de espaços seculares por bandas cristãs contribuiu para a profissionalização e expansão do mercado gospel.
Essas memórias encontram eco em uma geração menos institucionalizada, que busca uma fé prática, engajada e socialmente relevante. O relato reforça que parte da música cristã brasileira se consolidou pela disposição de atravessar fronteiras morais e geográficas para alcançar as periferias urbanas, onde a mensagem encontrou terreno fértil fora dos púlpitos tradicionais.
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Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel