Caso do "potencial demoníaco": Justiça do DF homologa acordo, e pastor Anderson Silva pagará R$ 46,1 mil por postagens consideradas misóginas
BRASÍLIA (DF) — O pastor Anderson Silva foi condenado em ação civil pública após publicar textos e vídeos com conteúdo considerado misógino pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A 12ª Vara Cível de Brasília fixou a condenação em R$ 46.122,05, valor atualizado em agosto de 2025, quando também foi aberto novo prazo de 15 dias para pagamento voluntário. O caso começou com duas postagens do pastor nas redes sociais — um texto no Facebook e um vídeo no YouTube — que, segundo o MP, reforçavam estereótipos capazes de incentivar violência contra mulheres. Em 21 de setembro de 2021, ele publicou no Facebook o texto intitulado "A mulher e seu potencial demoníaco!", no qual atribuía às mulheres características como "vingativas", "manipuladoras" e "diabólicas". O conteúdo viralizou e repercutiu negativamente, sendo divulgado inclusive pelo portal Metrópoles. Diante da repercussão, o pastor divulgou no YouTube o vídeo "O potencial demoníaco da mulher", vinculado à sua atividade religiosa, no qual tentou justificar a primeira publicação, mas, segundo o MP, reiterou o conteúdo misógino. O processo destaca trechos como: "Quem desobedece a Deus terá sua potencialidade demoníaca estabelecida." e "Fale mal da sua mãe, mas se você falar mal desse pessoal, 'ferrou' sua vida." A petição também transcreveu trechos do texto original: "Uma mulher não amada e liderada se torna um demônio.", "Sabe onde a mulher esconde sua maldade? Nos índices do machismo!", "A mulher é especialista em ocultação." e "Mulher é orgulhosa, vingativa e manipuladora!". A Justiça do DF ponderou a tensão entre a liberdade de expressão e a proteção constitucional da dignidade das mulheres e considerou esta última prevalente no caso. A ação civil pública proposta pelo MPDFT foi julgada procedente e seguiu para cumprimento de sentença. Em outubro deste ano, o MP apresentou proposta de acordo. O pastor foi intimado a se manifestar, aceitou e firmou o ajuste em audiência. A juíza homologou o acordo, reconheceu a formação de novo título judicial e afastou a mora, encerrando o processo. Após a homologação, Anderson Silva foi intimado a pagar as custas finais em cinco dias. Para dúvidas ou correções, a redação indicou o contato: [email protected].
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel