DNA confirma que corpo achado em mata é de corretora; síndico preso confessa e aponta local
A Polícia Científica de Goiás (PCI-GO) confirmou, nesta terça-feira (3), por exame de DNA extraído de dentes, que o corpo encontrado em uma área de mata é de Daiane Alves Souza, 43 anos, corretora de imóveis que estava desaparecida havia mais de 40 dias em Caldas Novas, no sul de Goiás. O resultado será enviado ao Instituto Médico Legal Aristoclides Teixeiras (IML), em Goiânia, para que seja providenciada a liberação do corpo à família.
O síndico do prédio onde Daiane morava, Cleber Rosa de Oliveira, permanece preso. Ele confessou o crime e levou a polícia até a região de mata às margens da GO-213, a cerca de 15 km de Caldas Novas, onde o corpo foi localizado na quarta-feira (28). Cleber é investigado por homicídio e ocultação de cadáver. Em nota, sua defesa informou que aguarda a conclusão do inquérito e que ele tem colaborado com as autoridades.
O filho de Cleber, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi preso, suspeito de atrapalhar as investigações. A defesa afirma que Maicon não tem qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime — cuja autoria foi confessada exclusivamente pelo pai —, que ele passou por audiência de custódia em 29/01/26, prestou depoimento, respondeu a todos os questionamentos e nega participação. Os advogados dizem adotar medidas para restabelecer sua liberdade.
Imagens de câmeras de segurança registraram Daiane pela última vez em 17 de dezembro, por volta das 19h, quando desceu de elevador ao subsolo do prédio para religar o padrão de energia do apartamento, que havia sido desligado. Em depoimento, o síndico relatou que a encontrou no subsolo, iniciou-se uma discussão e, em seguida, ocorreu o crime. Segundo a investigação, o local dos disjuntores é um ponto cego das câmeras, e Cleber teria utilizado as escadas para não ser filmado.
De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, a morte pode ter acontecido em um intervalo de até oito minutos, pois uma testemunha esteve no subsolo às 19h08 e não relatou ter visto qualquer ocorrência. Câmeras registraram o síndico deixando o condomínio por volta das 20h, dirigindo sua picape. Ele declarou ter saído sozinho, após colocar o corpo na carroceria do veículo.
O corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição, com um projétil alojado na cabeça. A defesa de Cleber informou que ele confessou ter usado arma de fogo. A causa da morte será confirmada pelo laudo pericial.
A polícia apura se a motivação do crime está relacionada a desentendimentos entre Daiane e o síndico sobre a administração de seis apartamentos no prédio. Havia histórico de conflitos entre os dois, incluindo 12 processos na Justiça. Em um áudio, Cleber afirma que a corretora estava proibida de atuar com locações no edifício e que a recepção não prestaria atendimento a ela. Antes de desaparecer, Daiane enviou e-mail ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas relatando ofensas e ameaças, dizendo temer pela própria vida e pedindo medidas de proteção.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo