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“Dois tiros na cabeça”: pastor relata ameaças para retirar moradores de rua e cita apoio de coronel em Divinópolis

“Dois tiros na cabeça”: pastor relata ameaças para retirar moradores de rua e cita apoio de coronel em Divinópolis

O pastor Wilson Botelho, líder da Igreja Batista da Fé e responsável por uma comunidade terapêutica em Divinópolis (MG), afirmou em audiência na Câmara Municipal que expulsou moradores de rua mediante ameaças. Segundo relatou, a ação teria contado com o aval de um coronel da Polícia Militar e o apoio de dez homens. “Eu tinha dez homens comigo na praça. Se aparecesse alguém, eu mandava embora. Eu dizia: ‘Se atravessar aquela ponte, amanhã às 4h vou fazer o seu sepultamento. É só dar uma ligada e você toma dois tiros na cabeça’”, declarou diante dos vereadores.

A sessão foi convocada para discutir políticas públicas voltadas a pessoas em situação de rua após declarações do prefeito Gleidson Azevedo (Novo). Ele acusou municípios vizinhos de enviarem moradores vulneráveis para Divinópolis e chegou a anunciar que não prestaria atendimento a quem não fosse da cidade. O prefeito é irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL).

Durante a audiência, o pastor afirmou que age “como cidadão” ao fazer ameaças que, segundo ele, a Polícia Militar não poderia executar. “Eu posso fazer, mas a polícia não tem autoridade, porque se fizer perde a farda. Eu recebi apoio do coronel”, reiterou.

Botelho também se referiu a pessoas em situação de rua como “vagabundos” e disse que, ao longo de três anos, “limpou” a praça onde atuava. Ele relatou oferecer pão e café para “atrair a amizade” de usuários e conseguir removê-los da cidade.

As declarações foram criticadas pelo vereador Vítor Costa (PT), que as classificou como “inadmissíveis, perversas e criminosas”. Ele também questionou a postura da secretária de Assistência Social, Juliana Coelho, presente na audiência, por não ter reagido às falas.

A deputada estadual Lohanna França (PV) protocolou representações contra o pastor no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e nos Ministérios do Desenvolvimento Social e dos Direitos Humanos. Para ela, as falas foram “violentas, discriminatórias e ameaçadoras”. A parlamentar pediu o envio da gravação completa da reunião para investigação e questionou a prefeitura sobre a legalidade da recusa de atendimento a pessoas vindas de outros municípios. “Não podemos permitir que discursos de ódio e práticas discriminatórias avancem em Divinópolis. O papel do poder público é garantir direitos, não negá-los”, afirmou.

Fonte: Fuxico Gospel

Fonte: Fuxico Gospel

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