Ele queria ser advogado e serviu à Marinha; um presídio selou o propósito musical de Sérgio Lopes
Ao celebrar 35 anos de carreira, o cantor e compositor Sérgio Lopes relatou que uma cena vivida nos corredores de um presídio redefiniu a forma como enxerga a própria obra. Paraibano de Campina Grande, ele não planejava viver de música na juventude: desejava ser advogado, ingressou na Marinha e concluiu a faculdade de Direito. Estudou e exerceu a profissão após entrar na corporação, enquanto a composição aparecia como atividade paralela, sem a ambição inicial de se tornar um projeto de longo prazo. Em entrevista publicada pela Revista Comunhão em julho de 2026, Sérgio afirmou que passou a entender a música como um propósito do qual não deveria se afastar. Sua carreira ganhou espaço com canções narrativas, personagens bíblicos e letras que se difundiram em igrejas; entre elas, O Lamento de Israel tornou-se uma de suas obras mais conhecidas. Entre as experiências marcantes, o artista destacou a visita a uma unidade prisional em que, ao caminhar pelos corredores, ouviu centenas de detentos cantarem uma de suas músicas. Não se tratava de um show, ressaltou; o impacto estava no local: pessoas privadas de liberdade, atrás das grades, sabiam de cor uma canção escrita por alguém que planejava seguir outra profissão. Segundo Sérgio, aquela cena confirmou o alcance espiritual que ele atribui ao próprio trabalho, ao perceber que a música chegara a um ambiente onde talvez não imaginasse ouvi-la de volta. Na mesma entrevista, ele explicou que O Lamento de Israel nasceu após assistir ao filme A Lista de Schindler; no dia seguinte, uma leitura do livro de Isaías completou a ideia que se transformaria em música. A canção atravessou gerações, ganhou versões em outros idiomas e, na avaliação do compositor, contribuiu para aproximar públicos cristãos e judeus. O percurso de Robinson Monteiro, que atuava fora da música antes de chegar à televisão, é citado como exemplo paralelo de carreira que precisou conviver com um plano profissional simultâneo. Ao revisitar as últimas décadas, Sérgio poderia ter destacado discos, viagens ou premiações, mas escolheu o corredor de um presídio para ilustrar como uma composição pode viajar sem o autor.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel