Eli Soares subia uma avenida a pé para pegar o ônibus; anos depois, voltou ao mesmo lugar para gravar outra fase da vida
Palácio das Artes fazia parte do trajeto cotidiano do cantor, que carregava uma marmita na mochila sem imaginar que gravaria ali.
Durante muito tempo, o Palácio das Artes foi apenas parte do caminho de Eli Soares. Ele passava em frente ao complexo cultural de Belo Horizonte com uma marmita na mochila, subia a avenida a pé e seguia para pegar o ônibus.
Anos depois, o cantor retornou ao mesmo lugar para gravar Vida, um projeto que reuniu canções de sua trajetória. A mudança de perspectiva fez o passado reaparecer em plena gravação.
Em entrevista à Billboard Brasil, Eli contou que via o Palácio das Artes todos os dias, mas nem sequer compreendia a dimensão daquele espaço.
Ao voltar como protagonista de um projeto próprio, ele se lembrou do “menino magrinho” que subia a avenida em direção ao ponto de ônibus. Segundo o artista, um filme passou por sua cabeça.
O contraste não depende de luxo ou ostentação. Ele nasce do reencontro entre duas versões da mesma pessoa: o jovem que atravessava a cidade e o músico que, mais tarde, teria condições de idealizar uma gravação naquele local.
A carreira profissional começou a ganhar forma em 2009. Eli venceu festivais de música gospel em Belo Horizonte e participou do concurso Showveiro, exibido pela Rede Super.
O prêmio permitiu a gravação de seu primeiro disco. Em entrevista ao portal O Propagador, ele explicou que aquela foi a primeira vez que entrou em um estúdio e teve contato com etapas como produção, mixagem e masterização.
Não havia, portanto, uma estrutura pronta esperando por ele. A experiência do concurso se transformou em aprendizado e deu início à profissionalização de um talento desenvolvido desde a igreja.
Eli afirmou à Billboard que não tinha um plano alternativo para a música. Também reconheceu que não imaginava os desafios da carreira e atribuiu à fé a sustentação necessária para continuar.
A história dialoga com a decisão de Deive Leonardo de deixar o Direito para se dedicar às mensagens cristãs. Em ambos os caminhos, a mudança não ocorreu de uma vez, mas por uma sequência de oportunidades assumidas com seriedade.
Quando Eli voltou ao Palácio das Artes, o prédio continuava no mesmo lugar. O que havia mudado era a relação dele com aquele endereço — de cenário cotidiano a palco de uma história construída passo a passo.
Fonte: Fuxicogospel Com