IPB vota em Manaus parecer que pode transformar veto ao Legendários em diretriz nacional
A reunião quadrienal do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) começa no domingo (26), em Manaus (AM), com a participação de mais de 1.600 delegados de 404 presbitérios, e colocará em votação um parecer de teor crítico ao movimento Legendários. O documento, originalmente articulado por uma assembleia presbiteriana no Tocantins e obtido pela imprensa nacional, propõe que a denominação declare formalmente a incompatibilidade do programa de imersão masculina com a tradição teológica reformada e recomende que pastores, presbíteros, diáconos e membros se abstenham de participar ou divulgar a iniciativa. O relatório sustenta que o Legendários teria introduzido no ambiente confessional elementos do mercado corporativo, do marketing de incentivo e do coaching motivacional, deslocando a centralidade das Escrituras e da obra redentora de Jesus Cristo. A comissão aponta como “nítido desvio do Evangelho” o uso de gritos de guerra, uniformização por camisetas, numerações sequenciais e a referência a Jesus como “Legendário 001”. Para os relatores, tais práticas convertem a devoção espiritual em um “produto de consumo grupal e performático”, desalinhado dos parâmetros de modéstia e reverência do protestantismo histórico. O parecer também questiona a metodologia de sobrevivência na selva adotada pelo grupo e alerta que restrições alimentares, esgotamento físico extremo e indução de estresse psicológico podem gerar estados alterados de consciência, eventualmente interpretados pelos participantes como “revelações ou manifestações do Espírito Santo”. Segundo o texto, a criação de uma identidade corporativa à parte entre os chamados “legendários” fomentaria atritos e divisões nas congregações locais, fragilizando a autoridade de conselhos de anciãos e pastores ordenados. Introduzido no Brasil em 2018 pelo pastor Ricardo Bernardes, a partir de uma matriz idealizada na Guatemala, o movimento afirma que a fricção física e emocional em ambiente selvagem é indispensável para despertar o “instinto caçador” e restaurar o papel do homem como provedor e protetor familiar diante da secularização. Caso o parecer seja ratificado pela maioria dos delegados em Manaus, o veto se converterá em diretriz normativa obrigatória para a IPB em todo o território nacional, dando respaldo jurídico-eclesiástico a conselhos regionais e sessões locais para exercer vigilância pastoral e aplicar medidas disciplinares aos membros que insistirem na adesão ao projeto. Correções ou posicionamentos sobre o caso podem ser enviados para [email protected].
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel