João Alexandre rebate Marcus Salles e critica 'idolatria harmônica' e mesmice no worship
SÃO PAULO (SP) — O violonista, cantor, compositor e arranjador João Alexandre Silveira, referência na Música Popular Cristã (MPC) e na MPB tradicional, respondeu às recentes declarações do pastor Marcus Salles com uma série de observações irônicas e críticas à estética do worship. O debate ganhou força após Salles associar as críticas de instrumentistas à simplicidade do gênero a um suposto sentimento de "dor de cotovelo" diante do sucesso mercadológico do estilo. Com mais de quatro décadas de carreira, marcadas pelo virtuosismo ao violão e por rearmonizações de hinos tradicionais, João Alexandre rejeitou a ideia de ressentimento por parte de músicos mais clássicos. "Dor de cotovelo é pra quem não tem competência! Quem tem competência se estabelece em qualquer estilo de música!", afirmou, direcionando a discussão para a composição do gênero: "Para mim, o problema está na 'idolatria' harmônica que usa sempre os mesmos acordes e progressões". Amparando-se no próprio argumento de Salles de que o worship brasileiro seria "a cópia da cópia", o músico aprofundou a crítica ao comportamento de mercado de ministérios nacionais, contrapondo-os à originalidade de grupos norte-americanos e europeus. "Os gringos são bons no que fazem por justamente não imitarem ninguém e fazer o deles bem feito! Já aqui na terra tupiniquim, é justamente o contrário!", declarou. No campo conceitual e teológico, João Alexandre questionou a apropriação do termo inglês worship ("adoração") para caracterizar uma vertente musical específica, de andamento mais lento e com poucos acordes, apontando uma exclusão implícita de outros ritmos — tradicionais, folclóricos ou clássicos — do escopo devocional. "O problema é chamar um determinado estilo de WORSHIP (ADORAÇÃO), como se todos os outros não fossem também! Aí o bicho pega!", concluiu. A contraposição entre Salles e João Alexandre evidencia a resistência histórica de setores intelectuais e artísticos do protestantismo à padronização estética atribuída às grandes gravadoras e plataformas de streaming, refletindo tensões de um período de transição em que a sofisticação harmônica da MPB cristã convive com o pragmatismo mercadológico de canções desenhadas para fácil replicação.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel