Marcus Salles fala em 'dor de cotovelo' nas críticas ao worship e alerta para 'cópia da cópia' no Brasil
Rio de Janeiro (AL) — Durante participação no programa de entrevistas 'Starling Cast', o pastor, instrumentista e cantor Marcus Salles, ex-vocalista e baixista do grupo Quatro por Um, afirmou que parte das críticas de músicos ao worship decorre do sucesso do estilo e não apenas de eventuais limitações técnicas. As declarações provocaram debate entre profissionais do segmento evangélico e lideranças do movimento de adoração congregacional moderna.
Salles confrontou avaliações recorrentes de que o worship apresentaria 'pobreza harmônica' e estrutura simplificada quando comparado ao gospel tradicional e a vertentes pentecostais mais complexas. Embora reconheça fundamento técnico nessas observações, ele apontou o incômodo com o desempenho comercial do gênero como um fator relevante. 'Existe um pouquinho de dor de cotovelo... O sucesso incomoda. Os caras falam: Como esse cara que toca menos que eu, que canta menos que eu, faz sucesso com uma música de três acordes?', disse.
Ao mesmo tempo em que defendeu a legitimidade do alcance do estilo, o pastor expressou preocupação com a perda de identidade artística no mercado nacional. Ele criticou a dependência de igrejas e ministérios brasileiros em traduzir e replicar composições e arranjos de megaigrejas internacionais — citando Bethel Music, Hillsong Worship e Elevation Worship. 'O problema do Brasil é que nós viramos a cópia da cópia. O que se produz de worship aqui é uma imitação disso', avaliou.
Na análise do músico, o excesso de versões estrangeiras pressiona a cadeia de compositores locais e reduz o surgimento de hinos de raiz nacional. 'A gente vai perdendo a música autoral, as músicas congregacionais... Hoje se produz pouca música congregacional autoral no Brasil', acrescentou, ao comparar o cenário atual com períodos de maior efervescência criativa.
As ponderações de Marcus Salles dialogam com preocupações de associações de direitos autorais e de produtores que buscam reaquecer o mercado de composições originais brasileiras. O embate entre o minimalismo característico do worship e o virtuosismo técnico de músicos de estúdio segue como parte da busca por equilíbrio entre a facilidade de execução comunitária nos templos e a valorização artística da música sacra.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel