Mesmo IP, laranjas e R$ 60 milhões em contratos: pastor e advogado são presos por suspeita de fraudes em licitações no RS
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, nesta segunda-feira (1º), o pastor Carlos Alberto Serba Varreira, conhecido como Pastor Carlos Elshaddai, e o advogado Renato Carlos Walter, suspeitos de liderar um esquema de fraude em licitações para serviços de limpeza e higienização. Segundo a investigação, os contratos sob apuração somam mais de R$ 60 milhões e envolvem a Secretaria Estadual de Educação e o IPE Prev.
A operação cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Butiá e Porto Alegre, onde os investigados residem. De acordo com a polícia, os dois seriam proprietários das empresas JQL Serviços Terceirizados e Porto Serviços Terceirizados, apontadas como beneficiárias das licitações suspeitas. Ainda conforme a apuração, empresas vinculadas entre si teriam sido usadas para simular concorrência, comprometendo a lisura dos certames.
O delegado Augusto Zenon, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública Municipal (DPRCAPM), afirmou que laranjas eram articulados como sócios formais para participar dos certames, enquanto custos seriam reduzidos artificialmente por meio do não pagamento de salários, encargos e benefícios a trabalhadores terceirizados. "A suspeita é de que utilizassem esse grupo de empresas para fraudar a competitividade, descumprindo direitos trabalhistas e mantendo contratos de forma ilícita", disse.
A Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (CAGE) identificou indícios concretos de que as empresas simulavam disputas para favorecer resultados previamente combinados.
Segundo a polícia, Varreira e Walter já haviam sido alvo da Polícia Federal em 2020, em investigação sobre suposta lavagem de dinheiro desviado da saúde pública em Rio Pardo. A empresa SV Apoio Logístico, ligada aos investigados, foi acionada pelo Ministério Público por irregularidades trabalhistas e previdenciárias, e a Justiça determinou, em 2025, a suspensão de seus contratos com o Estado e com a Prefeitura de Porto Alegre.
Durante a apuração, os investigadores apontaram que os suspeitos mantinham padrão de vida modesto, considerado incompatível com a movimentação financeira das empresas. Um dos laranjas admitiu ter emprestado o nome para constar como sócio, e Varreira teria utilizado esse expediente para ocultar a compra de um carro de luxo.
Outro ponto levantado pela investigação foi o uso do mesmo endereço de IP para envio de lances por empresas que deveriam concorrer entre si em pregões públicos, sugerindo controle a partir de um único local. Em um dos processos, uma empresa chegou a apresentar recurso em favor da outra.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel