“Nao deem quentinhas” no Natal: vereadora do Rio associa doacoes a criminalidade e defende abrigos; video gera reacoes nas redes
RIO DE JANEIRO (RJ) — Uma declaracao da vereadora Talita Galhardo (PSDB-RJ) provocou ampla repercussao nas redes sociais nesta quinta-feira (11). Em video publicado em seus perfis, a parlamentar desencorajou a distribuicao de alimentos a pessoas em situacao de rua — acao frequente de igrejas e grupos voluntarios, especialmente no periodo de Natal — e associou a pratica ao aumento dos indices de violencia urbana. Segundo Galhardo, embora bem-intencionadas, as doacoes de “quentinhas” podem gerar consequencias negativas para a ordem publica. A vereadora criticou em particular grandes ceias e acoes organizadas por igrejas na Barra da Tijuca, zona nobre da cidade. O argumento apresentado foi o de que a facilidade de acesso a comida “estimula a permanencia nas calcadas” e, na visao da parlamentar, “acaba ajudando a aumentar indices de criminalidade”. Como alternativa, Galhardo defendeu o encaminhamento das pessoas em situacao de rua para abrigos municipais. Ela reconheceu, porem, que parte dessa populacao recusa o acolhimento oficial, citando como motivos regras das unidades, como horarios rigidos, separacao por genero e proibicao do uso de drogas. O video foi amplamente compartilhado nas redes sociais, incluindo o perfil O Fuxico Gospel (@fuxicogospel). A fala ocorre em um momento critico. Dados recentes do Observatorio Brasileiro de Politicas Publicas com Populacao em Situacao de Rua (OBPopRua/UFMG) indicam que o estado do Rio de Janeiro contabiliza mais de 33 mil pessoas vivendo nas ruas, enquanto o total no Brasil ultrapassa 358 mil. Entre os fatores apontados estao desemprego, crise habitacional e encarecimento do custo de vida. Para muitos, a distribuicao de alimentos por voluntarios e a unica fonte de nutricao diaria. Conhecida por pautas conservadoras na Camara Municipal, Galhardo e coautora de projetos como o chamado “PL anti-Oruam”, que visa restringir shows com apologia ao crime. As declaracoes da vereadora geraram reacoes imediatas de internautas, movimentos sociais e fieis. Criticos afirmaram que a parlamentar estaria criminalizando a pobreza e minimizando a fome como emergencia humanitaria. “Cama quente, salario em dia, e a culpa e de quem da comida a quem tem fome?”, escreveu um usuario em comentario sobre o caso. Ate o fechamento desta materia, Talita Galhardo nao havia divulgado nova nota oficial sobre a repercussao. A executiva do PSDB-RJ tambem nao se manifestou. O espaco segue aberto para atualizacoes. Todos os citados nesta reportagem tem garantidos o contraditorio e a ampla defesa. Para correcoes, atualizacoes ou direito de resposta, o contato da redacao e: [email protected].
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel