“Não existe cura gay”: pastor de João Pessoa defende renúncia diária e critica promessas milagrosas
JOÃO PESSOA (PB) — Durante participação em um podcast, o pastor Clóvis Bernardo, líder da Catedral Pentecostal e casado há 25 anos, afirmou que “não existe cura gay”, posicionamento que reacendeu o debate religioso por partir de uma liderança conhecida por seu testemunho de conversão após um passado em que viveu como travesti.
Para Clóvis, a transformação espiritual não ocorre em um evento isolado, mas por uma decisão contínua de renúncia. Ele sustenta que a fé cristã não elimina automaticamente desejos ou conflitos internos, exigindo vigilância constante.
Ao relembrar sua trajetória, o pastor mencionou o período em que adotava o nome Anastácia e afirmou que o passado não pode ser romantizado. “É uma luta diária. Se eu der alguma brecha, tenho certeza que isso volta”, disse, reforçando que não acredita em mudanças definitivas anunciadas como fórmulas espirituais.
Clóvis também criticou líderes que divulgam supostas “curas” irreversíveis. Relatou ter acompanhado casos de pessoas que celebraram a “cura” em cultos ou eventos e, posteriormente, retornaram às práticas anteriores, muitas vezes de forma ainda mais intensa. Para ele, esse tipo de discurso gera frustração, culpa e sofrimento silencioso.
À frente da Catedral Pentecostal, ao lado da esposa, a missionária Socorro Bernardo, o pastor afirma conduzir uma igreja com postura de acolhimento. Diz não fechar as portas para ninguém e relata que costuma visitar travestis em suas próprias casas para prestar auxílio em necessidades básicas e oferecer apoio espiritual.
Ele reconhece que sua voz e seus trejeitos ainda causam estranhamento em alguns ambientes religiosos, mas afirma utilizar essa característica como ponte de empatia, especialmente com pessoas que se sentem marginalizadas dentro das igrejas.
O debate sobre a chamada “cura gay” — termo associado às terapias de reversão sexual — é alvo de resoluções internacionais de saúde e de intensas disputas no campo político e jurídico brasileiro. Em 2026, o avanço de políticas de inclusão e o combate à discriminação têm pressionado lideranças religiosas a revisar abordagens históricas.
Nesse contexto, o posicionamento de Clóvis Bernardo sinaliza uma mudança em setores do pentecostalismo: o abandono de promessas de transformação biológica em favor de uma teologia baseada no domínio próprio, na cruz e na honestidade sobre o conflito humano. Segundo ele, a proposta é substituir discursos triunfalistas por uma fé mais humana, responsável e transparente.
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Fonte: Fuxico Gospel
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