Operação Miragem: PF bloqueia R$ 670 milhões e apura supostas fraudes no Banco Digimais, de Edir Macedo; compra pelo BTG fica sob suspense
SÃO PAULO (SP) — A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem para investigar um suposto esquema de fraudes contábeis e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional no Banco Digimais, instituição controlada por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário do Grupo Record.
Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão judicial determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens no valor de até R$ 670.348.945,70.
Segundo a PF, relatórios detalhados do Banco Central embasaram a operação e indicam que gestores teriam manipulado balanços para simular solvência e ocultar um rombo financeiro estimado por agentes de mercado em cifras bilionárias. As apurações apontam que, após severa deterioração patrimonial entre 2023 e 2024, o Digimais passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI e a supervalorizar ativos em fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio.
Entre os alvos das buscas estão executivos do banco e o bispo João Urbaneja, considerado próximo de Edir Macedo. O líder religioso não foi alvo de busca domiciliar por residir fora do Brasil.
O caso ocorre em meio à negociação anunciada em abril deste ano, quando o BTG Pactual comunicou ao mercado uma intenção firme de compra do Banco Digimais. Com a operação policial, a transação passa a enfrentar forte suspense regulatório.
De acordo com a PF, os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos e realização de operações de crédito vedadas, crimes previstos na Lei nº 7.492/1986. Em nota recente publicada em seu site, o Banco Digimais havia rechaçado rumores sobre sua saúde financeira.
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Fonte: Fuxico Gospel
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