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Orações por PIX, call centers e R$ 3 milhões: quem é Santini, influenciador religioso investigado no RJ

Orações por PIX, call centers e R$ 3 milhões: quem é Santini, influenciador religioso investigado no RJ

Luiz Henrique dos Santos Ferreira, conhecido como Pastor Henrique Santini ou Profeta Santini, é um líder religioso e influenciador digital com forte presença on-line. Segundo a Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do RJ (MPRJ), ele é apontado como líder de uma estrutura de telemarketing que oferecia promessas de cura e milagres mediante transferências via PIX. As autoridades estimam que o grupo movimentou ao menos R$ 3 milhões em dois anos.

De acordo com a 76ª DP (Niterói), a operação era coordenada a partir de escritórios em Niterói e São Gonçalo, com pelo menos 70 atendentes que se passavam por Santini nas conversas com fiéis. O fluxo descrito pela investigação começava com vídeos de mensagens religiosas que direcionavam usuários para números de WhatsApp. Quando alguém pedia oração para um problema específico, áudios previamente editados eram enviados como se fossem respostas personalizadas do pastor. Ao final, havia a solicitação de contribuição, que variava de R$ 20 a R$ 1.500.

A apuração sustenta que os valores não eram destinados a contas de igreja, mas a contas de terceiros, com metas internas de arrecadação e pagamento de comissões. Em fevereiro, policiais apreenderam 52 celulares, 6 notebooks e 149 chips em um endereço associado ao grupo e flagraram 42 pessoas no atendimento on-line. O material periciado está sendo usado para mapear milhares de possíveis vítimas em todo o país.

Na Operação Blasfêmia, deflagrada nesta quarta (24/9), a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Santini, além do bloqueio de contas e do sequestro de bens. Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Ao todo, 23 pessoas se tornaram rés por estelionato, charlatanismo, curandeirismo, associação criminosa, falsa identidade, crime contra a economia popular, corrupção de menores e lavagem de dinheiro — um conjunto de acusações que, somado, pode chegar a 29 anos de pena.

Santini foi localizado em casa, na região da Barra Olímpica, no Rio, e relutou em abrir a porta, de acordo com a polícia. Computadores, documentos, celulares e dinheiro foram apreendidos no endereço. Uma pistola dourada também foi encontrada e, segundo os investigadores, estava registrada. Em declarações à TV, o religioso afirmou ser vítima de perseguição religiosa, disse ter formação em teologia e atuar há mais de dez anos como pastor.

Nas redes sociais, Santini se apresenta como criador de conteúdo e profeta de Deus e diz somar entre 8 e 9 milhões de seguidores. Seus perfis exibem chamadas como 'entre no meu zap', com links que, segundo a polícia, direcionavam para o funil de atendimento investigado.

Outra frente do caso envolve a estrutura dos call centers. Reportagens locais e comunicados oficiais indicam que os núcleos foram montados para operar em escala e padronizar atendimentos espirituais, com scripts de respostas, metas rígidas e dispensa por baixa arrecadação. A Polícia Civil e o GAECO/MPRJ monitoram a circularização do dinheiro por meio de contas de terceiros, o que embasa as medidas de bloqueio e sequestro.

Em notas e entrevistas, as autoridades afirmam que o alvo não é a fé, mas condutas com indícios de fraude. A investigação descreve o caso como exploração financeira da fé por meio de falsas promessas atreladas a pedidos de PIX. A orientação é para que possíveis vítimas guardem comprovantes, prints e áudios, procurem a polícia para registrar ocorrência e colaborem com a produção de prova.

Fonte: Fuxico Gospel

Fonte: Fuxico Gospel

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