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Polícia diz que síndico entregou só 3 de 10 câmeras; vídeo achado no esgoto após 41 dias mostra ataque a corretora

Polícia diz que síndico entregou só 3 de 10 câmeras; vídeo achado no esgoto após 41 dias mostra ataque a corretora

A Polícia Civil informou que o síndico Cléber Rosa de Oliveira, que confessou o homicídio da corretora Daiane Alves Souza e está preso, disponibilizou registros de apenas três das dez câmeras conectadas ao sistema de monitoramento do condomínio onde ambos moravam, em Caldas Novas (GO). Segundo o delegado André Luiz Barbosa, 11 câmeras funcionavam no prédio — dez ligadas ao DVR e uma com cartão de memória —, mas as imagens entregues eram parciais, o que dificultou a análise de entradas, saídas e do fluxo de pessoas.

De acordo com o delegado, ao receber o pedido de imagens, o síndico contratou um prestador de serviços para extrair os arquivos e encaminhá-los à Polícia Civil. O técnico ouvido na investigação afirmou que não sabia do desaparecimento de Daiane e apenas cumpriu a orientação recebida. “Quando a gente analisou as imagens, verificou que elas não estavam completas. Por isso que a investigação teve todo esse trabalho”, disse Barbosa, explicando que faltavam registros de chegada e saída do prédio.

Além dos registros do circuito interno, os investigadores recuperaram um vídeo gravado no celular de Daiane que mostra o momento em que ela foi atacada no subsolo. No dia do crime, a corretora registrava a queda de energia em seu apartamento e enviava os vídeos a uma amiga; o arquivo que flagrou a agressão não chegou a ser enviado. Nas imagens, Daiane aparece indo aos quadros de luz, enquanto o síndico surge com luvas nas mãos. “Ele estava com luvas nas duas mãos e com a capota da caminhonete aberta. Posicionou o carro próximo ao local onde pretendia render a Daiane”, afirmou o delegado João Paulo Mendes.

O vídeo foi recuperado após o celular da vítima ser encontrado dentro de uma caixa de esgoto do prédio, indicado pelo síndico já preso. O aparelho ficou 41 dias no local até ser localizado, no fim de janeiro, durante perícia.

Em coletiva nesta quinta-feira (19), a Polícia Civil informou que a corretora foi morta com dois tiros na cabeça e que a perícia diverge da versão apresentada por Cléber, que alegou disparo acidental. Testes feitos no subsolo mostraram que qualquer tiro ali seria plenamente audível na recepção, o que, somado ao pouco sangue detectado por luminol no subsolo, levou os peritos a concluir que os disparos não ocorreram naquele ponto. Para a investigação, os achados são incompatíveis com a hipótese de tiro acidental e com a alegação de legítima defesa durante uma discussão sobre o vídeo.

Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025, após ir ao subsolo para restabelecer a energia do apartamento. A mãe da corretora, Nilse Alves, afirmou que havia combinado de se encontrar com a filha no dia seguinte, 18, para tratar das locações de fim de ano dos imóveis da família. Ao chegar ao prédio, encontrou a porta do apartamento trancada e registrou boletim de ocorrência no mesmo dia. O corpo da corretora foi localizado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em Goiás.

Segundo a mãe, a filha enfrentava desavenças no condomínio. Antes do desaparecimento, uma assembleia aprovou a expulsão de Daiane, decisão que foi suspensa pela Justiça. O Judiciário entendeu que a moradora não teve oportunidade de defesa e apontou possíveis irregularidades na convocação, como prazo e forma previstos no regimento interno do prédio.

A defesa de Cléber, por meio do escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, informou que ele foi formalmente indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, segue à disposição da Justiça e manterá postura colaborativa. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de Goiás, responsável por decidir sobre o oferecimento de denúncia. A defesa declarou que comentará o caso exclusivamente pela via judicial, ressaltando que os procedimentos relacionados à investigação tramitam em segredo de justiça.

Fonte: G1 Globo

Fonte: G1 Globo

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