Réu por oito crimes e com R$ 1 mi bloqueado, 'Profeta Santini' mantém três lives pedindo pix; MP aponta R$ 3 mi em 3 meses
O Ministério Público acusa o pastor Luiz Henrique dos Santos Ferreira, que se apresenta como "Profeta Santini", de liderar um esquema que teria movimentado mais de R$ 3 milhões em três meses. Mesmo após se tornar réu por oito crimes — entre eles charlatanismo, curandeirismo, estelionato e associação criminosa — ele segue solicitando doações em dinheiro durante três lives diárias nas redes sociais.
A investigação ganhou força com a Operação Blasfêmia, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil na última semana. Segundo os investigadores, o grupo chefiado por Santini cobrava até R$ 1,5 mil por supostas "promessas de cura" e "milagres". A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão encontrado em contas ligadas ao pastor e à igreja Casa dos Milagres, em São Gonçalo–RJ. Ele não foi preso, mas cumpre medida cautelar com uso de tornozeleira eletrônica.
De acordo com o MP, Thuane Pereira dos Santos, mãe de um filho de dois anos do pastor, também recebeu depósitos em sua conta pessoal: foram 2.600 transferências em dois meses, somando mais de R$ 425 mil. Thuane é irmã de Flávia Pereira, contadora de Santini, e ambas são investigadas por possível lavagem de dinheiro.
As autoridades identificaram ainda uma central telefônica operada pelo grupo, com cerca de 70 atendentes contratados pela internet, que se passavam pelo pastor. Esses operadores tinham metas financeiras de arrecadação e recebiam comissão proporcional ao valor obtido.
As doações foram rastreadas em 18 estados e no Distrito Federal, incluindo casos de pessoas que realizaram dezenas de transferências. Entre as vítimas mais vulneráveis estavam idosos, como uma mulher de 62 anos que doou 85 vezes e um homem de 82 anos que fez 19 depósitos. Para o promotor Bruno Humelino, a prática extrapola o campo da fé: "A diferença entre dízimo e estelionato é a fraude. Quando a arrecadação se dá por meio de engano e manipulação, trata-se de crime".
Apesar das acusações, Santini afirma ser vítima de perseguição religiosa. Ele diz ter formação em teologia e mais de dez anos de atuação como pastor. "Colaborei com tudo, não encontraram nada contra mim. Isso é perseguição à minha fé", declarou.
Fonte: Fuxico Gospel
Fonte: Fuxico Gospel